O caçador de
pipas
"Antes de se sacrificar por alguém, pense nisso: será que ele faria a mesma coisa por mim?"
O livro narra a história da vida do garoto afegão Amir e de sua amizade com Hassan, o garoto de lábio leporino e sorriso fácil. O primeiro, herdeiro de uma fortuna, sempre em busca da atenção e da aprovação do pai. Suas paixões são filmes de caubóis e a escrita. Já Hassan é filho do empregado do pai de Amir e vive num simples casebre perto da mansão. Corajoso, um amigo leal e muito ingênuo, é disposto a fazer tudo pelo melhor amigo, que nem sempre corresponde toda essa fidelidade.
"Por você, faria mil vezes." - Hassan
Apesar das vezes em que Amir zomba do amigo por ele não saber ler ou escrever,
lhe ensinando o significado errado das palavras, a amizade se mantém firme
mostrando através do cotidiano de ambos a realidade do Afeganistão na década de
70. Porém, é durante um campeonato de pipas, competido por crianças mas
assistido e respeitado por todos os adultos em que as personalidades de nossos
protagonistas - se é que Hassan pode ser considerado protagonista - são
testadas e isso muda quase que completamente o rumo da história.
"Pode ser injusto, mas o que acontece em
poucos dias, às vezes até uma única vez, pode alterar o rumo da sua vida
inteira."
A narrativa
é feita em primeira pessoa, pelo Amir, e cada detalhe faz nós leitores imaginarmos os
cenários descritos com perfeição. É quase possível ver os garotos pendurados na árvore do cemitério comendo romãs.
É possível sentir as aflições e alegrias do protagonista lendo a história através de seus olhos e confesso que em alguns momentos mais tensos, tive de fechar o livro e pensar se realmente queria continuar lendo. Havia lido há um bom tempo a sinopse dele em algum lugar e estava na minha lista de leitura, então fui na casa de uma amiga e o título saltou aos meus olhos diante de diversos outros na estante. Não me lembrava muito sobre o que falava, mas a parte de trás da capa também não trazia nenhuma informação sobre a história, o que me deixou um pouco incomodada. Além de algumas opiniões um pouco vagas acerca da história, eu não tinha mais nenhuma outra informação que viesse do próprio livro, já que era uma edição econômica (sem orelhas). Apenas quando terminei de ler foi que entendi que é um dos poucos livros que já li sobre o qual é realmente melhor não saber muito antes de ler. O bom é poder ir descobrindo aos poucos, junto com o protagonista e se abalar nos momentos de tensão propostos pelo autor.
Existe um filme de 2007 que ainda não tive disposição de assistir, mas que tenho vontade de ver. É mais um dos livros que são narrados pela perspectiva de uma criança - no caso de Amir, narrado até a vida adulta -, entretanto, não são indicados para leitores infantis e me arrisco a dizer juvenis. A história exige uma certa maturidade e uma leitura com a mente aberta para o choque de culturas.
Eu, Gabi, achei O caçador de pipas incrivelmente bem escrito e indico a leitura, mas já deixo as ressalvas acima para que quem o pegue, saiba o que está fazendo. Ok, parece que estou falando de algo muito perigoso ou ilícito. kkkkkk
