Olá leitores. Como diz o título da postagem, esse é o terceiro dia da nossa tag e resolvi fazer um post sobre contos. Na verdade, esse é a primeira parte de dois a respeito desse tema.
Tentei escrever um conto de terror que acabou virando um suspense bem ruinzinho. Não gostei, mas foi o que fiz e resolvi postar assim mesmo.
Não era minha ideia original, mas gastei um tempinho nele, então aqui vamos.
ETDN - Dia 3
Contos
Oh oh she’s coming
Enquanto tomava banho antes de ir para a cama, não conseguia afastar a ideia de que não estava sozinha em casa. Certo, há quase um ano me mudara para a antiga casa de meus avós e provavelmente era a presença deles que sentia junto comigo, pois havia crescido sendo mimada com biscoitos e moedas no agora não tão aconchegante casarão; espero que seja só isso.
Sem conseguir manter meus olhos fechados por tempo o bastante para lavar o cabelo, deixei para outro dia e fechei o chuveiro.
Assim que me deitei, ouvi o barulho assustador da água passando pelos canos de metal.Já estava cansada de planejar uma reforma com diferentes pedreiros, mas sempre aparecia algum empecilho. Tentando ignorar o calafrio de medo que subia pela espinha, vi que a bateria de meu celular estava quase cheia e que não precisaria carregá-lo, então o desliguei e tomei um comprimido para dormir, como vinha fazendo há algum tempo. Peguei no sono rápido, com a visão ficando embaçada e escura aos poucos. Tudo foi se resumindo a vultos e sombras.
I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
Acordei assustada com a música alta e vi que estava recebendo uma ligação de um número restrito. Engraçado, pelo que me lembrava…
Fui pega de surpresa ao ouvir passos pesados no corredor. Prendi a respiração e comecei a tremer de medo. Sentia minhas mãos molhando de suor porque eu era a única na casa; deveria ser!
Apesar de estar morrendo de medo, resolvi ir ver o que estava acontecendo. Não sou uma dama indefesa! Liguei a lanterna do celular, coloquei a pantufa e o roupão e saí do quarto tentando enxergar apesar da luz fraca; acender as lâmpadas poderia alertar quem quer que estivesse lá.
Andei ao longo do corredor me assustando com cada mínimo movimento e sombra que via. Por que tive de deixar a sala de segurança tão longe do quarto? Entrei na sala e tranquei a porta atrás de mim. Logo tomei coragem para ver a gravação das câmeras e o que havia sido gravado. Tudo parecia normal e o barulho começou a parecer algo criado por uma mente assustada. Até que revi as gravações das últimas horas pela segunda vez - velocidade avançada, é claro - e notei que cerca de um minuto de filmagem estava faltando. Das 2:45:06, o vídeo pulava direto para 2:47:04. Não conseguia explicar aquilo, mas também não entendia muito de tecnologia. Poderia ser algum defeito, então resolvi deixar para resolver com a empresa de segurança na manhã seguinte.
Voltei para a cama e tive uma noite inquieta de sono.
Alguns dias se passaram e continuaram a acontecer coisas sem explicação. Quando consegui falar com a empresa de segurança, disseram que haviam editado o vídeo remotamente e que não havia sido alguém da empresa, mas que eles investigariam o que acontecera. Não queria ficar sozinha em casa,mas também não tinha para onde ir. Passei o restante dos dias trancada lá, apenas eu e meus tormentos.
O número restrito começou a me ligar sempre no mesmo horário a partir daquela noite. Sempre que tentava ligar, dava ocupado. E ainda tinha um cheiro horrível vindo do sótão da minha casa. Acredito que algum animal tenha entrado lá para morrer. É uma droga se sentir sozinha e sem força para fazer o que é preciso.
Cerca de dez dias depois da noite em que acordei assustada, o cheiro do animal morto tornou-se insuportável e tive que ligar o para o vizinho mais próximo para pedir ajuda. Timothy era um budista casado e pai de duas lindas garotinhas; um homem gentil e prestativo que me fizera uma festa de boas-vindas quando me mudei para cá e disse que poderia ligar para ele ou a esposa se precisasse de algo. Ele chegou com sacos de lixo e uma pá e nós subimos no sótão, lugar onde não ia desde que vovó me fizera buscar as antigas fantasias de Halloween para brincar com meus primos.
Tim e eu vasculhamos o lugar inteiro e os únicos cadáveres que encontramos são de algumas aranhas e baratas - que ele remove de lá, graças aTentamos Tentamos encontrar a fonte do cheiro acre e parece vir de algo externo ao sótão. Então, ali estava de forma quase imperceptível a não ser pelo toque, uma parte oca na parede de madeira. Parecia o contorno de uma grande porta. Algo de muito errado estava acontecendo ali. Tive certeza ao me aproximar e notar que era de onde vinha o cheiro. Apenas olho para meu vizinho, que me entende e ajuda a puxar a tábua. Os dois quase caem para trás quando nos de deparamos com a sombria imagem, do corpo do que parecia um homem coberto de larvas e moscas bem atrás da parede do meu sótão!
- Molly, cuidado! - Tim grita e me empurra para o chão.
Ouço em seguida um grito abafado e um som metálico. Levanto o olhar e vejo Timothy caindo ao ser atingido com a pá que trouxera. Um homem alto e esguio o atingia repetidamente, mesmo no chão. Não tive presença nem ao menos para gritar. Era demais para acreditar e reagir.
Logo, sua atenção se volta para mim e me encolho, assustada. É a única coisa que tenho sido ultimamente.
- Molly, Molly…Porque trouxe esse homem para nossa casa? O cheiro estava te incomodando? Era só sair de casa que eu cuidaria de tudo para você. Eu matei esse pervertido quando tentou invadir seu quarto naquela noite. Mas não pude sair daqui para enterrá-lo.
- Quem… - me esforcei para firmar a voz - quem é você?
- Sou um homem apaixonado por você, amor. Você é a minha vida. Olhe. - ele diz puxando o papel de parede e revelando diversas fotos minhas inclusive dormindo e tomando banho coladas nas paredes.
Começo a chorar sem ter ideia do que fazer. Me sinto usada, perseguida e violada. Cubro o rosto com as mãos e grito abafadamente. O que posso fazer? Aquele homem estava me vigiando de dentro de casa!
- Não fique assim, querida. Foi bom você ter descoberto agora. Não queria ter que me esconder mais. Agora vamos nos livrar desses dois e ficar juntos, para sempre.
Seus olhos grandes e azuis brilhavam de um jeito perturbador ao dizer aquelas palavras. Acho que ao me olhar, ele via uma boneca, uma propriedade.
Fui amordaçada, algemada e colocada no banco do passageiro de meu carro. Não queria que a forma de sair de casa depois de mais de uma semana fosse acompanhada de um doente que fantasiava comigo. Tudo pareceu ainda mais sombrio ao ver os dois cadáveres, inclusive o de um pai e marido que era esperado em casa, sentados no banco de trás de forma arrumada e presos pelos cintos de segurança. Com que tipo de maluco pervertido eu havia esbarrado? Céus!
- Vamos finalmente viver nossa vida perfeita, Molly. - ele diz, põe as mãos cobertas pelo sangue de Tim em meu rosto e beija meus lábios por cima da fita prateada.
